Viajar num autocarro urbano em Coimbra, na hora de ponta, tem já por si uma série de sensações muito, vá lá, diferentes. A nível auditivo, é nada agradável. Sinto-me, quase sempre, dentro de uma tostadeira (muito usada). Cheiro mil e uma fragrâncias não comercializáveis. Observo um mar de gente. E desta vez, por mais estranho ainda, reflecti sobre a velhice e a juventude dos que compunham a “lata de sardinhas”.
Quem passeia na “cidade dos doutores” e toma alguma atenção percebe que há uma disparidade enorme nas faixas etárias das pessoas. Por um lado, temos os que cá nasceram e vivem há décadas a alugar quartos aos estudantes de “bengala na mão”. Por outro, os jovens adultos, que vieram de diferentes pontos do Globo para perseguir um sonho numa cidade que lhes vai ser efémera.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), apresentadas este ano, na pirâmide etária de Portugal, registou-se entre 2000 e 2009, um duplo envelhecimento da população, ou seja, as faixas etárias “jovens” diminuíram, enquanto as “idosas” aumentaram. E numa projecção feita até 2050, este agravamento vai ser continuado. Quanto tempo irá subsistir o Estado-Social? Que consequências iremos sofrer? E os nossos filhos e netos?
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), apresentadas este ano, na pirâmide etária de Portugal, registou-se entre 2000 e 2009, um duplo envelhecimento da população, ou seja, as faixas etárias “jovens” diminuíram, enquanto as “idosas” aumentaram. E numa projecção feita até 2050, este agravamento vai ser continuado. Quanto tempo irá subsistir o Estado-Social? Que consequências iremos sofrer? E os nossos filhos e netos?
É ponto assente. Portugal é um país (cada vez mais) envelhecido. Agora, em Coimbra, pelo menos nas ruas e transportes públicos, tenho a percepção de que é raro cruzar-me com pessoas de idades compreendidas entre os 40 e 60 anos. É óbvio que muitos têm uma vida activa, têm os seus empregos, etc. Mas de facto é um curioso contraste.O estudante de pé e o conimbricense sentado. O Solum e a Baixa.
Os transportes urbanos de Coimbra, estão “minados” de reformados. É neles que melhor se nota o confronto de gerações. Quem vem cá durante o Verão percebe o verdadeiro sentido de esta ser a “cidade dos estudantes”, porque sem os estudantes parece só haver casas, onde os idosos se abrigam. Nós apenas disfarçamos durante dez meses um cenário que vai sendo comum a todo o país.
in: http://postsdepescada10.blogspot.com
19/10/2010
19/10/2010
Renato Sapateiro
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